Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Sansao e o leao


“No horizonte do mundo de Sansão não há ninguém minimamente parecido com ele. Nesse sentido, ele vive e age num espaço vazio.” Esta citação é do curto, mas rico livro de David Grossman, Mel de Leão (tradução de Tova Sender, Companhia das Letras, 131p.). O volume faz parte da coleção Mitos, que reúne autores de vários países; já foram editados internacionalmente títulos sobre Penélope, Minotauro, Atlas e Agnus (no Brasil não foram editados ainda os dois últimos). Segundo informações de meados do ano passado, Milton Hatoum estava incumbido de escrever sobre um mito brasileiro. Em Mel de Leão, o israelense Grossman interpreta a figura de Sansão, enviado para libertar o povo de Deus não através de sermões mas por uma força física extraordinária. Como se trata de alguém designado divinamente, é automático ver Sansão como livre de qualquer dubiedade, apenas como uma peça funcional de um esquema superior. Esse é justamente o caminho inverso de Grossman, ele se volta com cuidado ao texto bíblico (Juízes 13-16) e explora um personagem não compreendido pelos seus pais e pelo seu povo, e, mais grave, um personagem cuja missão se cumpre à medida que ele é traído na sua busca pessoal por união. Trata-se de um destino superior que não se faz linearmente, mas através da dissonância.

Um risco de propostas como a dessa coleção, é que se caia num revisionismo simplista, em que basta uma inversão de sinais. O esforço de Grossman se afasta disso, mesmo que não se concorde com um ou outro desenvolvimento, é fácil admirar o fôlego de sua análise e o sabor literário do texto. A passagem que mais me impressionou refere-se ao enigma que Sansão propõe aos filisteus: “do que come saiu comida, e do forte saiu doçura” (Juízes 14). A caminho da cidade da mulher filistéia que havia ”agradado a seus olhos”, Sansão mata um leão que o atacou. É a primeira vez no texto bíblico que a sua força é demonstrada. Passando depois pelo mesmo caminho, justamente para se casar, ele se desvia para ver o corpo do leão e percebe na boca do animal abelhas e um favo de mel. Ele come esse mel e, sem contar o ocorrido, também o oferece aos seus pais. Durante o casamento, ele faz uma aposta a seus convivas filisteus tendo vestimentas como prêmio. Para vencer, eles precisam decifrar o mencionado enigma até o fim dos sete dias de comemorações. Grossman salienta que não há como os desafiados resolverem essa charada, ela não tem uma natureza lógica e nem se baseia em experiências comuns; ela se refere sim a um evento singular e solitário, o qual revela a excepcionalidade de Sansão. Para os filisteus, o enigma é puramente absurdo – lembrei-me automaticamente de Kafka e de seus textos como Fábula Curta, Diante da Lei ou Das Alegorias. Grossman: “parece que não existem muitas coisas que podem enlouquecer tanto uma pessoa quanto o abuso contínuo de uma charada cuja solução é impossível”. O primeiro embate físico de Sansão com os filisteus surgirá dos desdobramentos desse episódio.

Sobre as imagens do post, a primeira, uma ilustração de Leighton, lembra-me da surpresa que eu tinha ao conhecer os episódios violentos da Bíblia. A xilogravura de Carolsfeld, terceira imagem, é igualmente forte, mostra uma expressão dura e inapelável na face de Sansão em meio ao caos que ele provoca (ver versão ampliada). Essas duas imagens fornecem um contraponto perfeito às duas de Chagall, parte de uma série temática sobre a Bíblia, composta por 105 gravuras coloridas à mão. Na primeira aqui colocada, Chagall inspirou-se adicionalmente no texto bíblico que diz que Sansão despedaçou o leão “como se fora um cabrito” (Juízes 14). Comparar as 4 imagens sugere que interpretações novas não tomam simplesmente o lugar das antigas; novas e tradicionais parecem, ao menos nesse caso, reforçar a dramaticidade umas das outras.

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Sábado, 26 de Julho de 2008

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

DANIEL NA COVA DOS LEÕES Daniel 6:14-24



DANIEL NA COVA DOS LEÕES Daniel 6:14-24
O rei não queria que Daniel morresse na cova dos leões, mas ele não podia mudar a lei. Portanto Daniel foi lançado aos leões. Cedo na manhã seguinte, o rei correu para a cova dos leões e gritou, "Daniel, servo do Deus Vivo, será que o teu Deus, ao qual serves continuamente, foi capaz de te livrar dos leões?" E Daniel respondeu, “O meu Deus enviou o seu anjo, e ele fechou a boca dos leões.” O rei ficou muito contente. Daniel foi tirado para fora da cova do leões. Às ordens do rei, os inimigos de Daniel foram atirados aos leões e imediatamente os leões os devorara
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Profefeta Eliseu

Profeta Eliseu foi discípulo e sucessor do profeta Elias e viveu no século IX antes de Cristo. Sua profecia se fez ouvir em Israel, durante os reinados de Ocozias, Jorão, Jéu, Joás e Joacaz. Estava arando o seu campo quando o profeta Elias o chamou. Acompanhou Elias até o final de sua vida, recebendo dele seu espírito profético, simbolizado por um manto. Exerceu um papel importante na história de seu povo, tomando parte ativa nos acontecimentos de seu tempo. Foi sem dúvida um grande taumaturgo, uma personalidade forte, influente e de grande habilidade política. Dele diz o Eclesiástico: Tal foi Elias, que foi envolvido num turbilhão. Eliseu ficou repleto do seu espírito; durante sua vida nenhum chefe o pôde abalar, ninguém o pôde subjugar. Nada era muito difícil para ele: até morto profetizou. Em vida fez prodígios;
morto, ações maravilhosas (Eclesiástico 48,12ss.
Alexandre Victor M.
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O caminho de emaus


O caminho de emaus,Lucas 24.13-35
Naquele mesmo dia, dois dos discípulos estavam indo para um povoado chamado Emaús, que fica mais ou menos dez quilômetros de Jerusalém. Eles estavam conversando a respeito de tudo o que havia acontecido. Enquanto conversavam, o próprio Jesus chegou perto e começou a caminhar com eles, mas estes não o reconheceram. Então perguntou:
  • Que é que vocês estão conversando pelo caminho?

    Eles param, com jeito triste, e um deles disse:

  • Você não sabe o que aconteceu em Jerusalém nesses últimos dias? Os chefes dos sacerdotes e os nossos líderes entregaram Jesus de Nazaré, um profeta poderoso em atos e palavras diante de Deus, para ser condenada a morte, e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem iria libertar o povo de Israel. E além de tudo isto, algumas mulheres do nosso grupo Siga o caminho de Emaús para Jerusalém e escreva embaixo as letras na ordem em que você as passa. Elas vão dizer o que os discípulos disseram.foram de madrugada ao túmulo, e não encontraram o corpo dele. Até voltaram dizendo que viram anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. Alguns do nosso grupo foram ao túmulo e viram que de fato aconteceu o que as mulheres disseram, mas não viram Jesus.

    Então Jesus lhes disse:

  • Por que vocês demoram a crer em tudo o que os profetas disseram? Pois era preciso que o Messias sofresse e assim recebesse de Deus toda a glória.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Salomão constrói o templo e o palácio (I Reis 6 e 7)

Salomão, que de bobo só tinha a cara, entendeu o recado: o templo estava muito bom e tal, mas precisava de mais opulência. O projeto minimalista original, de pedra e vigas de cedro, não seria suficiente para o vaidoso Javé. Então, de volta à prancheta: as paredes interiores da edificação seriam forradas de cedro para que as pedras não aparecessem, o assoalho seria de pinho. O lugar Santo dos Santos, salão separado onde ficaria a Arca do Acordo, e que seria efetivamente a casa de Javé, seria um cubo perfeito de arestas de nove metros separado do resto da construção por um biombo de cedro que ia do chão até o teto, enfeitado com entalhes em forma de cabaças e de flores. O lugar Santo, área comum do templo, teria dezoito metros de comprimento.
Salomão preparou o novo projeto e foi apresentá-lo a Javé.Agora sim, estamos conversando!
Com o projeto finalmente aprovado, Salomão tratou de colocá-lo em prática: as paredes de pedra foram forradas com tábuas de cedro revestidas de ouro, os entalhes foram feitos, os querubins construídos.
A construção foi iniciada no quarto ano do reinado de Salomão, e concluída no décimo primeiro. Com a casa de Deus pronta, o rei podia preocupar-se em construir a sua.
E se o templo podia ser tão ostensivo, então o palácio real também poderia. Salomão não se fez de rogado: só um recinto, o Salão da Floresta do Líbano (que tinha esse nome por ser todo revestido de cedro), já era maior que o templo: media quarenta e quatro metros de comprimento por vinte e dois de largura e treze e meio de altura. Esse salão tinha três fileiras de quinze colunas de cedro que sustentavam vigas de cedro, que por sua vez escoravam o teto de cedro.
O Salão das Colunas era um pouco menor: tinha vinte e dois metros de comprimento por treze e meio de largura, e recebeu esse nome por ter um pórtico sustentado por colunas. A Sala do Trono, onde Salomão trabalharia, era toda forrada de cedro. Num pátio atrás dessa sala ficava a casa de Salomão, no mesmo estilo das outras: um exagero de cedro. Do mesmo estilo também eram os aposentos da esposa do rei, filha do Faraó.
Enfim, o palácio era tão grande que algumas das pedras do alicerce chegavam a quatro metros de comprimento.
Alex.V.M
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

O Templo de Salomão


O Templo de Salomão

A importância do templo de Salomão é capital na história do esoterismo. O famoso monarca não foi somente um rei sábio e excelente governante de seu povo; foi, sobretudo, um grande mago, conhecedor de saberes ocultos e propiciador de surpreendentes e incríveis poderes sobrenaturais. A biografia de Salomão, as características e história de seu templo conformam um dos capítulos mais fascinantes do passado.A biografia do rei Salomão, filho do rei David e Betsabea, é para merecer, se fosse transferida ao cinema objetivamente, a qualificação de "ótimo". Por isso não é estranho que nos sermões, quando se faz menção do rei, somente reluzem dois episódios que até as crianças podem escutar: o de seu famoso juízo acerca das duas mulheres que reclamavam a mesma criança como filho, mostra de sua grande sabedoria, e a da construção do Tempo, que ele piedosamente mandou edificar e custeou. Acerca dos demais, um discreto véu de silêncio, porque estabelece que o sábio e piedoso rei, para assegurar-se no trono, matou a seu irmão Adonias e a Joab, que por não estarem de acordo acerca da legitimidade de Salomão, haviam levantado o povo, com o apoio de Abiatar, sumo sacerdote. Nem tímido nem negligente, o piedoso rei depôs ao sumo sacerdote e em seu lugar colocou a um amigo seu, Sadoc.

ALEXANDRE VICTOR M.

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Sábado, 19 de Abril de 2008

Pedro negou Jesus


Em Mt 26, 69-70 diz: “Pedro estava sentado fora, no pátio. Aproximou-se dele uma criada, dizendo: ‘Também tu estavas com Jesus, o Galileu!’ Ele, porém, negou diante de todos, dizendo: ‘Não sei o que dizes”.

Pedro seguiu a Nosso Senhor de longe: “Pedro seguiu-o de longe...” (Mt 26, 58). Seguiu-O tão de longe que O negou aberta e desavergonhadamente.

Antes, Pedro dissera ao Senhor: “Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu jamais me escandalizarei” (Mt 26, 33), e: “Mesmo que tiver de morrer contigo, não te negarei” (Mt 26, 35).

Pedro negou Jesus Cristo pela primeira vez, não ao Sumo Sacerdote Caifás ou a um grupo de soldados fortemente armados, mas a uma simples criada: “Aproximou-se dele uma criada” (Mt 26, 69). Essa negação perece que foi depois da meia-noite: “As noites de Abril são frias em Jerusalém, e os servidores do pontífice tinham feito fogo no átrio, e aqueciam. Pedro também se aproximou para se aquecer. Uma mulher da criadagem, a própria porteira, segundo nos indica São João, aproximou-se de Pedro e o interrogou” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).

Esse Apóstolo já estava avisado da tentação a que ia estar sujeito: “Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante, me negarás três vezes” (Mt 26, 34).

Pedro convivera com Nosso Senhor por três anos, agora diz que não O conhecia: “Ele, porém, negou diante de todos, dizendo: ‘Não sei o que dizes” (Mt 26, 70). Santo Agostinho escreve: “Oh! Quão detestáveis são as más companhias, que, obrigaram Pedro a negar a Jesus como homem, quando, já o tinha confessado como Deus”.

Católico, não confie nas suas próprias forças, mas peça a Deus para que lhe dê a perseverança final: “Tratando-se particularmente da graça da perseverança final, isto é, de morrer na amizade de Deus, o que é absolutamente necessário para a nossa salvação, do contrário, estaremos para sempre perdidos, esta graça Deus não a dá senão a quem pede” (Santo Agostinho, De dono perseverantiae, c. 16, nº. 39. ML. 45-1017), e: “Este é um dos motivos porque muitos não se salvam, pois são poucos os que cuidam de pedir a Deus a graça da perseverança final” (Santo Afonso Maria de Ligório, A Prática do Amor a Jesus Cristo, capítulo VIII).

Seja forte e convicto! Fuja daquelas amizades que tentam te afastar do bom caminho, que usam todo tipo de argumentos para colocar no seu coração dúvidas em relação a Cristo Jesus: “Amas a tua salvação? Foge dos maus companheiros” (São Gabriel da Virgem Dolorosa), e : “As más companhias corrompem os bons costumes” (1 Cor 15, 33).

Depois que negara o Amado Senhor, Pedro foi para fora, para o vestíbulo.

Em Mt 26,71-72 diz: “Saindo para o pórtico, uma outra viu-o e disse aos que ali estavam: ‘Ele estava com Jesus, o Nazareu’. De novo ele negou, jurando que não conhecia o homem”.

Em Lc 22, 59, falando sobre a segunda negação de Pedro diz: “Cerca de uma hora mais tarde...”, portanto, eram três, pouco mais ou menos, e o Imaculado Cordeiro já havia sofrido muito até esse horário.

É lamentável a atitude de Pedro: “De novo ele negou, jurando que não conhecia o homem” (Mt 26, 72).

Agora, Pedro não disse simplesmente que não conhecia o Salvador; mas afirma com juramento não conhecê-lO: “Pedro negou conhecer o seu Senhor, e com isso negou também o sentido profundo da sua existência: o de ser Apóstolo, testemunha da vida de Cristo, o de confessar que Jesus é o Filho do Deus vivo. A sua vida honrada, a sua vocação de Apóstolo, as esperanças que Jesus depositara nele, o seu passado, o seu futuro – tudo começa a ruir” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).

Católico, quando alguém te perguntar se és seguidor de Cristo, não titubeie e não se envergonhe, pelo contrário, afirme que és e que estás muito feliz em amar, servir e seguir ao Rei dos Reis: “Sou cristã e meu empenho é servir a Cristo, meu Deus” (Santa Cristina), e: “Sou cristão e cristão permanecerei. Honra maior não conheço que esta, de sacrificar não só meus bens e minha fortuna, como também minha vida, pela glória de Jesus Cristo” (São Flaviano, mártir), e também: “Sou cristão, e como cristão quero viver e morrer” (Santo Anastácio, mártir), e ainda: “Oitenta e seis anos são que completo no serviço de Jesus Cristo e ele nunca me fez mal algum; como poderia injuriá-lo?” (São Policarpo, mártir), e: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis” (Santa Águeda, mártir), e também: “Sofrer pelo amado do meu coração é delícia” (Santa Dorotéia, mártir).

Milhares de católicos negam a Cristo todos os dias, justamente por não terem coragem de professarem a fé diante das pessoas que vivem nas trevas, e que trabalham insistentemente para que o erro predomine nas almas.

Seja forte e não se acovarde! Se negares a Cristo Jesus, onde buscarás apoio para venceres as dificuldades da vida? Onde encontrarás luz para iluminar o seu caminho? Onde buscarás a alegria para suavizar o seu coração nas horas de tristezas? Viva sempre unido ao Senhor e não terá o que temer: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4, 13).

Ame a Cristo Jesus e esteja preparado para enfrentar todos os obstáculos por amor a Ele. Jogue fora o respeito humano, ele escraviza milhões de cristãos: “Deixar de fazer o bem por temor de um – que dirão os homens? – é declarar-se covarde, é ser vencido antes de entrar em campo com o inimigo” (Pe. Alexandrino Monteiro, Raios de Luz, 56).

Em Mt 26,73-75 diz: “Pouco depois, os que lá estavam disseram a Pedro: ‘De fato, também tu és um deles; pois o teu dialeto te denuncia’. Então ele começou a praguejar e a jurar dizendo: ‘Não conheço o homem!’ E imediatamente o galo cantou. E Pedro se lembrou da palavra que Jesus dissera: ‘Antes que o galo cante, três vezes me negarás’. Saindo dali, ele chorou amargamente”.

A terceira negação deve ter sido por volta das quatro horas da madrugada: “...todos os evangelistas dizem que, ao negá-lo pela terceira vez, o galo cantou e São Marcos diz que era a segunda vez que cantava, e o segundo canto do galo costuma ser pouco antes de amanhecer, quer dizer, por volta das quatro da madrugada” (Pe. Luis de La Palma).

Na terceira negação, Pedro começou até a praguejar: “Então ele começou a praguejar e a jurar...” (Jo 26, 74). Aquele que dissera seguir o Senhor até a morte, agora diz não conhecê-lO, e dito isso com muita fúria, porque chegou a praguejar e a jurar.

Já era de madrugada: “Levaram Jesus por uma daquelas galerias que davam para o pátio. E voltou-se e olhou para Pedro (Lc), que estava em baixo (Mc). Este quase não reconheceu o seu Mestre pelas pancadas e maus tratos que tinha recebido, mas conhecia bem o seu olhar. Jamais poderia esquecê-lo. Os seus olhos cruzaram-se por um instante e Pedro ficou intimidado. Então compreendeu a gravidade do seu pecado. Havia mais gente no pátio, mas Jesus só viu a ele. Pedro ficou atraído como por um imã, como noutras ocasiões, por aquele olhar de infinita misericórdia... Jesus desapareceu depressa, empurrado pelos que o guardavam, mas esses instantes foram definitivos na vida do discípulo. Então recordou as palavras do seu Mestre: “Antes que o galo cante, três vezes me negarás’. Saindo dali, ele chorou amargamente” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).

Católico, lute com todas as forças para ser sempre fiel a Nosso Senhor. Esforce-se para evitar o pecado mortal, maior desgraça que existe nesse mundo. Aquele que peca nega a Cristo; diz conhecer o mundo, o demônio e a carne, mas não ao Divino Amigo.

Se tiveres a infelicidade de cair no pecado mortal, isto é, de negar ao Senhor da Vida, não se desespere nem fique desanimado; o Senhor está sempre pronto para perdoar um coração contrito e humilhado, um coração que confia no seu Infinito Amor: “Pedro levou uma hora para cair, mas levanta-se num minuto e sobe mais alto do que estava antes da sua queda” (G. Chevrot, Simão Pedro).

Em Lc 22, 61-62 diz: “E o Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro... E saindo para fora, chorou amargamente”.

Cristo Jesus não quer que ninguém se perca, Ele nos olha atentamente, nos convidando ao arrependimento perfeito.

Católico, Cristo Jesus possui um olhar cheio de Amor e Bondade, não fiquemos com a cabeça baixa olhando para as nossas misérias e limitações, mas, levantemos a cabeça e olhemos nos olhos do Doce Amigo, e nos animaremos a mudar de vida: “Os seus olhares cruzaram-se. Pedro quereria baixar a cabeça, mas não pôde afastar os seus olhos d’Aquele que acabava de negar. Conhece muito bem os olhares do Salvador: aquele olhar que decidira da sua vocação e a cuja autoridade e encanto não pudera resistir anos atrás; aquele olhar delicado do dia em que Jesus afirmara, ao contemplar os seus discípulos: Eis os meus irmãos, as minhas irmãs e a minha mãe; e o olhar que o fizera estremecer quando ele, Simão, pretendera suprimir a cruz do caminho de Cristo; e o olhar afetuosamente compassivo com que recebera o jovem demasiado rico para segui-lO; e o olhar velado pelas lágrimas diante do sepulcro de Lázaro... Não há dúvida de que Pedro conhecia os olhares do Salvador! No entanto, nunca tinha visto no rosto do Senhor essa expressão que agora descobria n’Ele, esses olhos impregnados de tristeza, mas sem severidade. Olhar de censura, sem dúvida, mas que, ao mesmo tempo, suplicava e parecia repetir: Simão, eu orei por ti! Esse olhar só se deteve nele por um instante fugidio, porque Jesus não demorou a ser violentamente arrastado pelos soldados, mas Pedro nunca o esqueceria” (G. Chevrot, Simão Pedro).

Depois que o Imaculado Cordeiro fixou os olhos em Pedro, olhar de misericórdia e bondade, o Apóstolo chorou amargamente, isto é, se arrependeu do que havia feito.

Católico, seja sábio e prudente, aproveite do amor de Cristo Jesus para chorar os seus inúmeros pecados e prometa-Lhe não caíres mais.

Hoje, infelizmente, existem milhares de católicos que abusam da misericórdia do Senhor. Os mesmos dizem que Deus é misericordioso e que perdoa tudo, então vivem a pecar continuamente; o fim desses será a desgraça eterna: “Ai daqueles que para pecar confia na esperança” (Santo Agostinho), e: “Lúcifer foi castigado por Deus com tão assombrosa presteza, porque, ao rebelar-se, esperava não ser punido” (São Bernardo de Claraval), e também: “Quem ofende a Deus, fiado na esperança de ser perdoado, é um escarnecedor e não um penitente” (Santo Agostinho).

Seja um católico apaixonado por Nosso Senhor, Ele é o Deus compassivo e merece todo o respeito e amor.

Pedro chorou amargamente: “...porque as lágrimas nasciam da doçura do amor do seu Mestre” (Pe. Luis de La Palma). Chore também os seus pecados, lembrando-se de que Nosso Senhor está pronto para lhe perdoar: “...se Deus não fosse Deus, pareceria injusto pela sua paciência para com o pecador” (Santo Agostinho).

O Apóstolo chorou amargamente: “...porque se recordava de todos os benefícios que tinha recebido do Senhor, como o tinha distinguido dos outros companheiros” (Pe. Luis de La Palma). Chore você, por ter sido tantas vezes ingrato com o Senhor que cuida de ti.

Católico, seja amigo fiel de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não se afaste desse Bondoso Amigo e se esforce para crescer sempre na Sua amizade.

Se por desgraça afastares desse Senhor cometendo o pecado, não abaixe a cabeça em sinal de desânimo, mas olhe para Ele com o coração contrito, e o Bondoso Senhor te perdoará.

Alex.V.M.

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